quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Da crise das empresas onde estou

Estamos a pouco dias do final do mês (thanks god!) e continuo ainda com metade do salário de Dezembro em atraso e ainda nem uma única palavra sobre previsão de regularização do mesmo.  E depois será salário e meio em atraso. Não é que seja de valor elevado o que falta receber de Dezembro, mas €317,17 fazem-nos muita falta.
O desplante do meu patrão que hoje resolveu dar o ar da sua graça aqui pelo estaminé quando eu, por uma questão de sanidade mental e porque não gosto de viver na imundice, estava a fazer uma limpeza ao escritório, é de deixar qualquer um sem palavras. E porque isto das limpezas também as faço desde Julho do ano passado. Não que alguma vez ele tenha pedido/solicitado/ordenado. Mas porque na ausência de liquidez na tesouraria das empresas, resolvi ajudar nessa questão sem pedir contrapartidas. Fi-lo até ao final do ano passado e com alguma esperança que no final do ano ou pelo Natal, houvesse uma compensação, mesmo que pequena ou até mesmo uma prendita para o meu miúdo. Tá bem, tá! Nem uma palavra de agradecimento recebi.
Temos compras da casa a fazer e o miúdo está, novamente, a precisar de calçado. Não porque lhe deixe de servir, mas porque consegue dar cabo dele em três tempos, ou menos.
Hoje o meu querido pai veio almoçar comigo. Disponibilizou ajuda financeira, se precisássemos. Mas não. Já nos ajuda tanto que evito sempre essa situação.
Estou a emburrecer. Estou a perder o savoir faire administrativo pela falta de trabalho no escritório e não perspetivo alterações a curto prazo. A construção civil está pelas ruas da amargura e com os elevados créditos bancários que as empresas têm para com os Bancos não auguro nada de bom no futuro próximo. Passar cerca de 9h30m aqui, a inventar para o tempo passar é de loucos. Mas também não posso sair daqui sem ponderar muito bem a situação e sem ter para onde ir. Há demasiadas responsabilidades a ter em conta, compromissos a respeitar e cumprir.
Estou cansada da falta de trabalho.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A minha mãe morreu

Faz hoje dois meses. Dois.
E sinto muito a falta dela.
Não fiz o luto. Não pude. Não me deixaram.
Disse a quem me rodeia que a vida continua, que a família precisa de mim, o filho, o marido, o pai... Mas só eu sei o quanto custa ter perdido a minha mãe.
Tenho muitas saudades do seu sorriso, dos abraços que dávamos, das conversas ao telefone sobre o neto que já não vê crescer.
A minha mãe sofreu muito e sofreu sozinha, em silêncio, sem dar a conhecer a dor física que a foi matando aos poucos.  E morreu no hospital, sem a filha e o marido ao lado. Não sei se foi melhor ou pior assim.
E culpo-me por não ter estado ao lado dela, e culpo-me por não ter sentido que há 2 ou 3 anos a minha mãe estava doente, e culpo-me por não ter estado mais tempo com ela, e culpo-me por ela não ter vindo mais vezes à nossa casa nova, e culpo-me por não a ter defendido mais vezes e com mais vigor contra quem a magoou e fez sofrer.
Agora não a tenho. Às vezes sinto uma perplexidade quando penso que já não tenho mãe. Porque tomamos como garantido que os nossos pais vivem até serem muito velhinhos e isso nem sempre acontece.
E dói muito não a ter fisicamente cá. Costumam dizer que onde quer que esteja está melhor, a tomar conta de nós e a proteger-nos.
Tretas!
Melhor seria estar viva, ao nosso lado, a ver-nos e nós a ela, com sorrisos, beijos, abraços.
A minha mãe teve uma vida dura, de trabalho. Acho mesmo que as únicas alegrias que teve foi ter tido uma filha e um neto.
A minha mãe não foi feliz. Trabalhou muito, criou a filha, cuidou da casa e roupas, cozinhou, limpou. Pouco passeou, nunca teve a casa que sonhava e sentia-se muito sozinha.
E agora que não a tenho, olho para a minha própria vida e vejo que estou a fazer praticamente o mesmo percurso que a minha mãe. E sinto que quando for a minha vez, terei tido uma vida fotocópia da que a minha mãe teve.
Choro pouco porque não me a traz de volta, não mostro tristeza porque não me a traz de volta, não entro em depressão porque não me a traz de volta.
Precisava ainda muito da minha mãe...

O meu filho tem 5 anos

Tem 5 anos e está crescido. Com alguns percalços ligeiros tem-se desenvolvido muito bem e dessa forma a ansiedade constante de não saber se estaria a cria-lo bem atenuou-se consideravelmente. É um menino bonito, equilibrado, saudável, mimado, que varia entre a boa disposição e as birras, extremamente falador (até a comer ou a lavar os dentes), curioso, teimoso. De aprendizagem fácil e sociável. Noto alguma impaciência em certas atividades se não estiver para aí virado.
Come bem e de tudo, é guloso e dorme razoavelmente bem (quando não decide chamar-me para o tapar) mas não necessita de muitas horas a dormir para recuperar do dia anterior.
Cresce sem problemas visíveis o que faz com que eu sinta que estamos a fazer um bom trabalho.
Está numa fase de extrema teimosia, respostas impacientes ao que eu chamo de pré pré-adolescência. Que não é, mas faz com que perca a paciência com ele em certas ocasiões.
Às vezes sinto que ele necessitava de ter irmãos. 1 ou 2. Porque se sente sozinho, porque não tem com quem brincar ao fim de semana e o rapaz gosta de sociabilizar. Ainda não brinca no quarto dele. Traz tudo para a sala. Só lá fica quando mandamos porque precisamos e vai ligeiramente contrariado.
Um dia destes pergunto-lhe se é feliz.

Mais de 2 anos depois

Após uma paragem de mais de 2 anos nem sei porque volto aqui.
Continuei a ler blogues e a achar interessante quem consegue manter uma rotina de escrita nos respetivos blogues. 
Nestes 2 anos houveram mudanças radicais, acontecimentos bons e outros terríveis. Talvez pelos terríveis tenha voltado aqui. Provavelmente considere ser uma tentativa terapêutica de atenuar o que horas de silêncio e isolamento me fazem pensar e sentir sem verbalizar.
Estamos cá os três: pai, filho e mãe. E isso é bom. Mas não chega. Não se pode resumir a isso.