quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A minha mãe morreu

Faz hoje dois meses. Dois.
E sinto muito a falta dela.
Não fiz o luto. Não pude. Não me deixaram.
Disse a quem me rodeia que a vida continua, que a família precisa de mim, o filho, o marido, o pai... Mas só eu sei o quanto custa ter perdido a minha mãe.
Tenho muitas saudades do seu sorriso, dos abraços que dávamos, das conversas ao telefone sobre o neto que já não vê crescer.
A minha mãe sofreu muito e sofreu sozinha, em silêncio, sem dar a conhecer a dor física que a foi matando aos poucos.  E morreu no hospital, sem a filha e o marido ao lado. Não sei se foi melhor ou pior assim.
E culpo-me por não ter estado ao lado dela, e culpo-me por não ter sentido que há 2 ou 3 anos a minha mãe estava doente, e culpo-me por não ter estado mais tempo com ela, e culpo-me por ela não ter vindo mais vezes à nossa casa nova, e culpo-me por não a ter defendido mais vezes e com mais vigor contra quem a magoou e fez sofrer.
Agora não a tenho. Às vezes sinto uma perplexidade quando penso que já não tenho mãe. Porque tomamos como garantido que os nossos pais vivem até serem muito velhinhos e isso nem sempre acontece.
E dói muito não a ter fisicamente cá. Costumam dizer que onde quer que esteja está melhor, a tomar conta de nós e a proteger-nos.
Tretas!
Melhor seria estar viva, ao nosso lado, a ver-nos e nós a ela, com sorrisos, beijos, abraços.
A minha mãe teve uma vida dura, de trabalho. Acho mesmo que as únicas alegrias que teve foi ter tido uma filha e um neto.
A minha mãe não foi feliz. Trabalhou muito, criou a filha, cuidou da casa e roupas, cozinhou, limpou. Pouco passeou, nunca teve a casa que sonhava e sentia-se muito sozinha.
E agora que não a tenho, olho para a minha própria vida e vejo que estou a fazer praticamente o mesmo percurso que a minha mãe. E sinto que quando for a minha vez, terei tido uma vida fotocópia da que a minha mãe teve.
Choro pouco porque não me a traz de volta, não mostro tristeza porque não me a traz de volta, não entro em depressão porque não me a traz de volta.
Precisava ainda muito da minha mãe...

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