Ao ler um post de um blog que visito (Aquário do André) sobre os Avós, vem à ideia que tenho saudades da minha mãe.
Saudades, não no sentido físico de estarmos separadas kms e kms e só nos podermos ver em tempos de férias. Não. Saudades da mãe que tive. Da mãe que as minhas amigas do tempo de adolescência "invejavam" por ser tão preocupada com elas como era comigo, por ser tão carinhosa com elas como era comigo.
A minha mãe era realmente uma amiga e estava sempre do meu lado. Foi ela que muitas e muitas vezes convenceu o meu pai a deixar-me ir aqui e acolá, sózinha ou acompanhada.
Foi a minha mãe que no fundo e dia a dia esteve sempre comigo pois a profissão do meu pai não o permitia e ao Domingo que era quando o meu pai não trabalhava, dormia até tarde e depois de almoço ou era estar no café ou ir ver um jogo de futebol do Sporting. Não me interpretem mal. Adoro o meu pai e sei que a vida era mesmo assim.
Pensei que com a venda do restaurante o meu pai passasse mais tempo em família, estando ao lado da minha mãe, tentando compensar o tempo passado, ainda para mais porque desde aí que eu já não vivia com eles. Ilusão. Isso não só não aconteceu como ainda se agravou mais indo o meu pai frequentemente ao Alentejo para tomar conta do meu avó no tempo que lhe compete e tratar de coisas relacionadas com a tentativa de construção de um lar para a 3ª idade naquela aldeia perdida no mapa.
Com o nascimento do meu filho Pedro, pensei novamente que a situação se iria alterar positivamente e passarmos mais tempo juntos.
Os "ataques" de "fúria" ou "stress" ou sei lá o quê da minha mãe com o intuito de atingir o meu pai (daí não ter ido ao baptizado do único neto) tornaram-se cada vez mais frequentes e eu é que ouvia.
Sou filha de ambos e apesar de perceber ambas as partes e saber que ambas as partes têm razão e são culpados, não posso nem devo tomar partidos.
O que realmente me dói foi perceber depois da última fúria e que me fez reorganizar a vida toda, é que nunca mais vou ter a minha mãe de volta porque estou tão magoada com as palavras que me disse que passei a olhar para ela de outra forma. Não como a minha mãe, mas como uma mulher que sofreu bastante ao longo da vida, que esteve sempre ou quase sempre acompanhada apenas pela filha, que pouco aproveitou da vida para passear e ver coisas novas e que cada vez mais está sozinha porque também ela forçou essa solidão. Mas eu e o meu filhote e marido, não temos a culpa. Nenhuma.
Filho é filho. Mãe é mãe. Mas será isso condição absoluta para perdoarmos tudo, esquecermos tudo quanto ouvimos?
Penso que não.
E custa estar longe dela.
Mesmo quando me telefona, é com outro estado de espírito que falo e conto da evolução do Pedro. Sei que tem saudades do neto. Minhas e do Zé não sei.
Seja como for, agradeço-lhe ter falado aquelas coisas pois levou-me a melhorar a nossa situação pois se tenho mais trabalho com a roupa e as refeições, também chego mais cedo a casa e tenho conseguido fazê-las. O Pedro está noutra creche que considero bem melhor do que a outra e sinto que gosta de lá estar.
Mas tenho saudades da minha mãe e gostava de a ter de volta...

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