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terça-feira, 15 de julho de 2008

Angústia profissional mensal

Hoje está a ser um dia calmo aqui no escritório. Estamos a dia 15 e é o dia que aproveito para fazer "aquele trabalho" encomendado ou melhor, exigido pela patroa e que já deu direito a ameaça de despedimento caso não o faça, apesar de nada ter a haver com as empresas.
O problema como mensalmente acontece, é que não estou com pachorra.
Vai daí que nada melhor do que divagar um pouco, pelo menos até ter gente aqui.
Não dou graxa a ninguém. Nunca dei, detesto quem o faça e prefiro mil vezes ficar a perder do que "agradar" ou baixar a cabeça e sorrir a quem pensa que tudo pode e manda. Já perdi muito por isso. Mas durmo de noite (isto quando o Pedro colabora, claro...) e ando de consciência tranquila comigo mesma.
Quem me conhece já sabe como sou e funciono. Dizem que tenho mau feitio...ou talvez seja por não tolerar certas atitudes...e prefiro não estar com essas pessoas.
Mas porque agora uma divagação destas, ainda por cima com o calor que está?
Pois bem, há umas semanas atrás o patrão instituiu quinzenalmente umas reuniões de coordenação para 3 gatos pingados (entenda-se eu, o meu colega e o meu patrão) onde são discutidos alguns assuntos como "creatividade", "conceito de equipa", blá, blá, blá e blá, blá, blá...
Para além destas giríssimas reuniões, fiquei encarregue (ora quem mais senão moi même) de agendar, apresentar actividades lúdicas para reforçar a união dos três e criar melhor ambiente de trabalho. Aceitam-se assim, sugestões...
Claro que referi logo e antes que se esquecessem que era mãe de família e por isso qualquer actividade fora do horário de trabalho estava posta de lado nem sequer seria tida em consideração.
A solução será actividades que incluam as respectivas famílias e isso leva-me a um problemazito sem qualquer importância: vou ter de levar com a patroa...e daí estar a adiar o mais possível a apresentação de situações lúdicas.
Não gosto dela pelo simples facto de:
1. É arrogante
2. Tem a mania que é boa
3. Pelo facto de ter dinheiro (o patrão tem uns eurozitos que a mim já me chegavam um décimo do que ele tem e ainda dava para as gerações futuras) aplica o princípio de quero, posso e mando
4.Gosta de ser o centro das atenções
5. Fala demais
Não sou uma pessoa de tentar a qualquer custo (dentro do razoável) agradar a alguém para proveito próprio. Até me faz alergia esse tipo de pessoas. Considero a sinceridade uma qualidade imprescindível a qualquer ser humano para aceitá-lo como tal.
E isso hei-de futuramente transmitir ao meu Pedro.
E isto vai dar confusão porque normalmente fico calada, aguento até um certo ponto e depois sou tipo panela de pressão: se falo, vou com toda a certeza dizer mais do que devia.
A maternidade tornou-me menos impulsiva e controlo mais o meu feitio. Porque a paciência e o respirar fundo são aumentados vezes sem conta com as peripécias dos pimpolhos e isso também se reflecte na vida profissional e relações extra-família.
O problema é que não desaparece totalmente. Fica camuflado, encoberto, latente até qualquer uma outra situação despoletar o que andou adormecido durante algum tempo.
Evito falar com a patroa. Funcionamos por mails e só mesmo em caso de extrema necessidade é que falamos.
O último encontro foi por altura do jantar de Natal da empresa, apenas 2 meses após a ameaça de despedimento. Estive vai não vai para não ir com o maridinho. Mas várias pessoas disseram-me que era melhor ir, que assim mostrava que nada me tinha afectado. Fomos, mas mal conseguia olhar para ela. Porque me afectou e muito.
E todos os meses tenho de gramar com este trabalho. Que não gosto. Que detesto. Que sou obrigada a fazer. Que não me pagam para fazer.
E só me apetece dizer-lhe umas quantas verdades e mandá-la para a m****!
Mas fica a promessa e promessas cumprem-se: quando me for embora desta empresa (até porque pertencendo à Geração 500 Euros estou de olhos e ouvidos abertos a outras situações que sejam viáveis) direi tudo o que está entalado e atravessado à querida patroa.
Está prometido!

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