É adolescente. Ou como diria uma amiga minha, é "Aborrescente"
16 anos da mais profunda teimosia e rebeldia que há memória.
Gosto muito dela. Tem uma meiguice escondida, de difícil manifestação com quem merece.
Demora a interligar-se com o sobrinho mas adora-o e o Pedro gosta muito de brincar com ela.
Não interage connosco. Telemóvel e quarto, ou namorado.
Dos dias que lá estivemos, saiu connosco uma noite até ao café porque...o namoro tinha terminado. Por poucas horas, pois em pouco mais de 24 horas já tinham novamente reatado. Ele, o namorado, mais velho, com 19 anos, consegue ainda ser mais infantil que ela.
Age e sente-se filha única. Eu sou-o e não sou assim.
Fala com a mãe como a uma colega e noutros tempos, no meu, já tinha levado uma que a tinha virado ao contrário. E disse-lhe. Porque o mal, é não lhe dizerem nada e deixarem-na fazer o que quer, porque é menina e tem as ideias do gótico. Esquisitas. Mas nada que uns castigos bem aplicados e uma autoridade correcta não a pusessem no lugar.
Veste-se de preto. Pinta-se de preto.
Também eu fui adolescente e vestia-me de preto. Por uns bons anos. (Mas eu talvez tivesse cansada da farda do colégio de 9 anos e da repressão que tinha). Ela, a Cláudia é livre. E receio o uso da liberdade que mais tarde terá, por força da lei e do seu espírito.
Gosto mesmo muito dela. Uma miúda com um sorriso muito doce.
Lamento a falta de convívio com ela. Porque ela não quer.
Mas também não sei o que o futuro me reserva com o Pedro...

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